Relatório do Vaticano aborda terapia de conversão e inclusão LGBTQ+
O Vaticano divulgou um relatório inédito na terça-feira, que contém o depoimento de dois católicos gays casados e reconhece o papel da Igreja na «solidão, angústia e estigmas» enfrentados por pessoas com atração pelo mesmo sexo e suas famílias. O documento também reflete sobre os impactos negativos da terapia de conversão, conhecida por seus efeitos devastadores na busca de «recuperar a heterossexualidade».
Um passo significativo para a inclusão
O padre James Martin, fundador do ministério católico LGBTQ+ Outreach, comentou sobre a importância do relatório: «É um grande avanço, pois eles incluíram depoimentos de duas pessoas LGBTQ+, ambas casadas, algo incomum para o Vaticano». Ele destacou que este é um marco, pois é a primeira vez que a Igreja Católica reconhece as experiências de católicos LGBTQ+ de maneira tão detalhada em uma publicação oficial.
Contexto do relatório
Este documento é fruto de um grupo de teólogos, que inclui bispos, padres, uma irmã e um leigo, convocados pelo Vaticano para estudar questões «controvérsias» levantadas no Sínodo sobre a Sinodalidade, uma iniciativa de escuta promovida pelo Papa Francisco. Apesar das expectativas de mudanças significativas nas doutrinas sobre gênero e sexualidade, a decisão de relegar temas polêmicos, como a inclusão de LGBTQ+, a grupos de estudo em vez de discussões gerais foi vista como uma decepção por muitos.
Reflexão e discernimento
Embora o relatório não anuncie mudanças drásticas na doutrina da Igreja, sugere uma abordagem mais pastoral e acolhedora, propondo que a Igreja ouça e utilize um método transdisciplinar que inclua insights da psicologia, além das tradições bíblicas.
«É um documento realmente bom – eu diria até histórico», afirmou Yunuen Trujillo, uma ministra leiga lésbica de Los Angeles.
Ela ressaltou que o chamado é para que todos os católicos se engajem em um processo de discernimento respeitoso em relação às experiências vividas das pessoas.
Trujillo, autora de LGBTQ Catholics: A Guide to Inclusive Ministry, observou que pode levar tempo para que católicos LGBTQ+ sintam o impacto das novas diretrizes. «O documento se concentra principalmente em lésbicas, gays e bissexuais, mas acredito que terá um impacto positivo», concluiu.
Opiniões e reações
Marianne Duddy-Burke, uma católica lésbica casada e diretora executiva da DignityUSA, destacou a relevância do reconhecimento da Igreja sobre a necessidade de uma abordagem mais inclusiva. Ela enfatizou que a mudança não pode vir de cima para baixo, mas deve ser um processo que envolva diálogo e escuta.
O relatório do Vaticano representa um avanço significativo na luta pela inclusão e acolhimento dentro da Igreja Católica, um passo que muitos esperam que inspire mudanças mais profundas no futuro.








